Agassi sobre adeus ao ténis profissional: “É como se de uma morte se tratasse”

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Numa longa e enriquecedora entrevista concedida ao site do jornal inglês The Guardian, Andre Agassi manifestou a sua opinião sobre alguns assuntos referentes ao ténis, desde a final do Australian Open entre Roger Federer e Rafael Nadal até ao que se sente quando se “pendura as raquetes” oficialmente.

Questionado sobre se tem ou não saudades dos tempos em que estava no circuito profissional, o ex-número um mundial e campeão de oito torneio do Grand Slam revelou a dificuldade que é transitar daquela realidade para a ‘vida real’.

“O maior problema para a maioria dos atletas é o facto de perderem um terço das suas vidas sem se prepararem para os outros dois terços. Um dia o teu estilo de vida chega ao fim. É quase como se de uma morte se tratasse. Tens de seguir em frente e descobrir como ultrapassar esta mudança”, frisou primeiramente o norte-americano, campeão olímpico dos Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996.

Sobre a mais recente decisão de uma prova Major, a qual envolveu Federer e Nadal no “Happy Slam”, Agassi confessa que não ficou indiferente à grande batalha proporcionada por ambos. “Penso que toda a gente que gosta de ténis não iria perder aquele encontro. Fui o mais neutro possível porque ambos já deram imenso ao ténis e têm histórias muito bonitas. Naturalmente, ver o Roger vencer com a idade que tem foi especial. Ele continua a impressionar-me mas já deixou de me surpreender, pois já espero isso dele. E o Nadal mostrou perseverança após várias adversidades e com as pessoas a dizerem que já tinha dado tudo o que tinha a dar. Não acreditava que, depois de tanta carga física que tem tido durante a sua carreira, ele fosse capaz de voltar a jogar ao nível que atuou. Ele certamente provou que estava errado. Foi um embate bonito e um daqueles em que todos desejávamos que alguém não tivesse que perder”, disse Agassi.

Sobre a hipótese de poder vir a ser treinador no futuro, Andre Agassi não descartou essa possibilidade e até apontou alguns nomes de jogadores com quem gostaria de trabalhar. “Posso falar em pessoas que seriam engraçadas e interessantes de contactar. Para mim há uma diferença entre o que o [John] Isner, [Gael] Monfils e [Nick] Kyrgios fazem e o que eu penso que poderiam fazer. Isso é entusiasmante e excitante mas se eles não querem ter treinadores, seria uma ideia curta e dolorosa. Eu pagaria para ver qualquer um deles jogar mas é impossível dizer se eu poderia vir a treiná-los”, constatou.

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Natural da Ilha do Pico, Açores. Estudante do 2.º ano do curso de Direito da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Amante da modalidade desde a adolescência.