A vida no circuito com Frederico Silva #3, por Pedro Felner

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[Nota da redação: Esta é a terceira entrada de Pedro Felner, Diretor Geral da Felner Tennis Academy e treinador de Frederico Silva, no Ténis Portugal. Todos os textos podem ser encontrados aqui].

Olá a todos,

Finalmente estamos de volta, depois de alguns meses retirados do circuito. Infelizmente, uma ausência forçada por lesão. Nada de muito grave, mas a vontade de tentar resolver o problema de forma segura e com métodos que nos dessem mais garantias de longo prazo levou a uma ausência mais prolongada do que aquela que desejávamos.

Na verdade, o Frederico começou a sentir algumas dores no pulso e a jogar limitado desde meados do Verão. Em má altura (como todas as lesões…), porque sentíamos o Frederico a evoluir o seu jogo e a conseguir ser cada vez mais competitivo no circuito Challenger.

Todos os diagnósticos feitos na altura indicavam apenas uma ligeira inflamação na zona do pulso. Por essa razão, procurámos ir gerindo a carga de treino e ele continuou a competir. As coisas não corriam bem. Algumas vezes a competir limitado, poucos treinos para não agravar a suposta inflamação, os resultados a não aparecerem e a confiança a diminuir. Assim, no final de Agosto optámos por parar e procurar resolver o problema de vez. Esta opção obrigou-nos também a tomar a difícil decisão de renunciar à Taça Davis.

Entretanto, já em Portugal, foi-lhe diagnosticada uma pequena rotura num ligamento. A ruptura era tão pequena que não aparecia sequer na ressonância magnética que o Frederico fez durante um torneio que jogou em Itália. Como tal, não necessitaria de cirurgia. No entanto, acabaram por ser quase 3 meses de tratamentos e fisioterapia.

Durante este período, o Frederico nunca esteve parado. Ficou em casa, a treinar na academia, e aproveitámos para trabalhar ainda mais a parte física e alguns aspectos técnicos.

Há cerca de três semanas teve, finalmente, “alta” médica e começámos a treinar sem limitações. Depois de apenas uma semana de treinos, tentámos regressar à competição. Não estava inscrito em nenhum torneio e, como tal, decidimos vir até à Turquia para assinar para o qualifying de um torneio ITF 10.000$.

Depois de praticamente 3 meses sem competir, pareceu-nos preferível começar por jogar em piso rápido. Sempre é menos desgastante em termos físicos e não teria tanto risco de sobrecarregar o pulso.

Nesta altura do ano o Frederico tinha muitos pontos a defender. Em Novembro do ano passado tinha feito três boas semanas em torneios $10.000 no Egipto, acabando por fazer uma final e vencer dois torneios. No entanto, não vinhamos para a Turquia com grandes expectativas de resultados. Estávamos felizes por poder voltar a competir e queríamos, essencialmente, que tudo corresse bem em termos fisicos.

No momento em que vos escrevo estamos em Istambul, de regresso a casa, e não podíamos estar mais felizes. O Frederico acabou por conseguir jogar as duas semanas sem ter nenhuma recaída do pulso e terminou o ano a jogar o seu melhor ténis!

Foi também gratificante para mim perceber, ao longo destas duas semanas na Turquia, que o trabalho realizado nos ultimos meses acabou por trazer de volta um Frederico mais mais forte em termos físicos e técnicos (principalmente ao nível da esquerda e do serviço).

Os resultados acabaram por ser muito positivos também. No primeiro torneio ultrapassou o qualifying e chegou às meias-finais. Ganhou ritmo, foi jogando bom ténis e terminou cansado.

No segundo torneio, curiosamente com um quadro bem mais forte que o anterior (2 cabeças de série entre o top 270 ATP), o Frederico acabou por conseguir vencer a prova sem perder nenhum set e confirmou-nos que, quando consegue jogar o seu melhor ténis, este já não é o seu “campeonato”.

Termina assim uma temporada com alguns altos e baixos, que nem sempre correu de acordo com as nossas expectativas mas que nos deixa muita confiança para o que aí vem!

No final de mais um ano, importa também relembrar aqueles que partilharam connosco os bons e os maus momentos: toda a equipa da Felner Academy, em especial o Filipe Rebelo (que muito – e bem! – tem acompanhado o Frederico por esse Mundo fora) e o Luis Vazão (sempre ao seu lado no trabalho físico do dia-a-dia!); o Luis Lopes que, apesar de distante, está desde há muito ao nosso lado na parte física; o Pedro Almeida que nos ajuda a ser cada vez mais fortes mentalmente; o Marco Clemente e a Physioclem pelo apoio que dão na fisioterapia; o Pedro Simão e o Balance Club por nos darem acesso a um ginasio de excelência; o Miguel Ramos e a Polaris por tentarem procurar melhores condições para a carreira do Frederico; os vários médicos e terapeutas que acompanharam o Frederico ao longo deste ano; os atletas da FTA e todos os nossos amigos; e, porque os ultimos podem ser os primeiros, os pais, que nos apoiam incondicionalmente.

Até breve!

Pedro Felner

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  • Anselmo Sousa

    Parabéns a todos pela recuperação do Frederico e também a todos que participarm na sua evolução técnica.