Roland Garros, Dia 13: Finais de sonho em Paris

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«Foi você que pediu um Porto Ferreira?» O anúncio é velhinho, mas traduz bem o futuro que se desenha para as finais deste fim-de-semana. Novak Djokovic e Andy Murray, número um e dois do mundo, e Serena Williams e Garbiñe Muguruza são os protagonistas das finais de singulares de Roland Garros e dificilmente se poderia pedir mais.

Num dia em que se disputaram em simultâneo as respetivas meias-finais, foram as senhoras as primeiras a entrar em court. E a primeira finalista a ser conhecida foi Garbiñe Muguruza que derrotou Samantha Stosur por 6-2 e 6-4. Finalista derrotada em Wimbledon na temporada passada, Muguruza cedeu apenas um set durante todo o torneio, precisamente o primeiro que disputou frente a Anna Karolina Schmiedlova, mas desde então venceu todos os que disputou, sendo das quatro semifinalistas aquela que menos tempo passou em court.

No encontro de hoje, Muguruza apresentou-se a um nível elevadíssimo, não dando quaisquer hipóteses à australiana e, face às limitações físicas de Serena, a espanhola vê aumentar as suas chances no jogo de amanhã frente à norte-americana. Quinze anos depois, Espanha volta a ter uma representante feminina na final de Roland Garros depois da presença de Conchita Martinez, no ano 2000, e da vitória de Arantxa Sánchez Vicario, frente a outra norte-americana, Monica Seles, na final de 1998.

Só que do outro lado estará Serena Williams. A jogar para fazer história, a norte-americana terá amanhã mais uma oportunidade de igualar a marca de 22 títulos do Grand Slam de Steffi Graf depois desta tarde ter vencido a holandesa Kiki Bertenspor 7-6(7) e 6-4.

Não foi contudo um jogo fácil para a norte-americana que, a espaços visivelmente limitada na movimentação em court, encontrou grande oposição na holandesa. Bertens chegou a servir a 5-4 para vencer o primeiro set, mas não conseguiu fechar o parcial e quem aproveitou foi Serena Williams que, no tiebreak, e já depois de ter salvo um primeiro set point, confirmou a vitória no set. No segundo parcial foi a holandesa a sair novamente na frente, mas foi Serena quem, ao décimo jogo, e depois de Bertens ter salvo três match points, selou a vitória e a presença na 27.ª(!) final dum Grand Slam na carreira.

Nos homens, será Novak Djokovic contra Andy Murray. Os dois melhores jogadores da atualidade, e que “dividiram” entre si os torneios de Madrid (Djokovic) e Roma (Murray), disputarão a terceira final consecutiva em terra batida e para já a única certeza que existe é que Roland Garros conhecerá no domingo um “novo” campeão.

Derrotado nas finais de 2012, 2014 e 2015, Djokovic terá mais uma oportunidade para completar o Grand Slam de carreira, depois desta tarde ter vencido facilmente Dominic Thiem com parciais de 6-2 6-1 e 6-4, em menos de duas horas de jogo. Pela primeira vez nas meias-finais dum torneio do Grand Slam, o austríaco foi presa fácil para Djokovic nos dois primeiros sets, onde venceu apenas três jogos. Foi só no terceiro e último parcial que Thiem criou mais dificuldades ao sérvio, mas ainda assim insuficientes para contrariar o maior poderio do número 1 do mundo, que no domingo disputará a sexta final consecutiva em torneios do Grand Slam. Incrível.

Quem ficou pelo caminho foi o campeão da edição passada, Stanislas Wawrinka. O suíço saiu derrotado por 6-4 6-2 4-6 e 6-2 do duelo frente a Andy Murray, naquela que foi porventura a melhor exibição do britânico até ao momento em Roland Garros. Depois de mais de sete horas em court nas duas primeiras rondas para ultrapassar adversários fora do top 100, Murray parece ter reencontrado o seu jogo e, apoiado no seu serviço  (80 por cento de pontos ganhos no seu saque), o britânico garantiu com relativa facilidade o apuramento para a sua primeira final em Paris.

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Natural do Porto. Formada em Biologia pela Faculdade de Ciências da Universidade do Porto e atualmente a tirar o doutoramento em Ecologia Florestal na Universidade Católica de Leuven, na Bélgica. Entusiasta de ténis a tempo inteiro.