A vida no circuito com Frederico Silva, por Pedro Felner

0

[Nota da redação: O texto que se segue marca a estreia de Pedro Felner, Diretor Geral da Felner Tennis Academy e treinador de Frederico Silva, a escrever para o Ténis Portugal. De agora em diante, as “entradas” do treinador português poderão ser encontradas na página da respetiva categoria (clique para aceder)].

Antes de mais queria agradecer ao Ténis Portugal o convite para escrever esta crónica. É sempre um prazer colaborar com quem ajuda a promover o ténis em Portugal.

Neste momento estou com o Frederico Silva em Sharm el-Sheikh, Egipto. O local é paradisíaco, com excelentes hotéis virados para a praia. A costa em Sharm el-Sheikh é banhada pelo Mar Vermelho e é perfeita para banhos e para fazer snorkeling. No entanto, entre treinos e jogos o tempo para desfrutar deste paraíso não é muito. Acabamos por estar a trabalhar onde os outros passam férias.

Optámos por fazer aqui 2 semanas de torneios Future antes de rumarmos aos torneios Challenger. O Frederico está perto de atingir um objectivo importante para nós: entrar no qualifying de um torneio do Grand Slam. É um ambiente que já conhecemos bem, depois de 10 participações em torneios do Grand Slam no escalão junior. No entanto, ter acesso aos torneios do Grand Slam jogando no circuito profissional é sempre um marco importante. É mais uma fonte de motivação e a possibilidade de competir ao mais alto nível e de continuar a evoluir.

O circuito ATP está cada vez mais competitivo e o nível médio tem vindo a aumentar. Mesmo ao nível Future já existem jogadores de grande nível, alguns deles quase sem ranking. Para além disso, os jogadores de top mantêm-se a jogar até mais tarde ao mais alto nível, dificultando a subida das novas gerações. De momento, existem cerca de 15 jogadores no top-100 com menos de 24 anos de idade e vários com mais de 30 anos. A longevidade da carreira aumentou e a experiência é cada vez mais um factor importante. Por norma (há excepções, obviamente) os jogadores chegam mais tarde ao topo, mas também conseguem ter uma carreira mais longa.

O Frederico está a fazer o seu percurso. Ao seu ritmo. Mais devagar que alguns (poucos) e mais rápido que muitos mais.

É um percurso longo e dificil, onde o talento é a base de partida mas onde o sucesso está apenas destinado aos mais persistentes, aos que aguentam a dificuldade do circuito, as derrotas mais duras, os jogos menos conseguidos. Para os que trabalham mais e melhor. Para os mais ambiciosos. Para aqueles que querem muito lá chegar e que estão dispostos a tudo. Para os que não perdem uma oportunidade de aprender e acrescentar mais alguma coisa ao seu jogo.

Pois bem, é isso que vamos tentando fazer aqui por Sharm el-Sheikh: competir e trabalhar o melhor que podemos em torneios com poucas condições e sem “glamour”. Fazendo erros e coisas acertadas. Uns jogos melhores, outros piores mas continuando a trabalhar com persistência e seriedade. A diferença de um jogador top-100 para um top-200 ou 300 não é assim tão grande, mas são pequenas coisas que fazem grandes diferenças e há que procurá-las todos os dias.

Há duas semanas, o Frederico venceu o Future de Loulé num torneio com um quadro difícil e onde conseguiu jogar a excelente nível em vários dos encontros que fez. Logo de seguida, na primeira semana aqui em Sharm el-Sheikh, perdeu na primeira ronda com um adversário difícil em courts rápidos, num jogo em que teve dificuldade em se adaptar às novas condições. Esta semana está nas meias-finais de singulares e na final de pares. Está no seu melhor ranking de sempre (256 ATP) e estamos determinados a continuar a subir.

Até breve!

Pedro Felner

Leia também:

About Author