A caminhada de João Sousa em São Petersburgo aos olhos de Ricardo Cayolla

2

A final alcançada pelo João Sousa em São Petersburgo é mais um bom resultado do tenista português. Contrariamente ao que é a opinião publicada, não me parece que tenha sido um resultado excepcional. De uma vez por todas temos de deixar de pensar pequenino, de ficarmos contentes com bons resultados e embandeirar em arco com o que se alcança. Está de parabéns, naturalmente, com a final alcançada. Mas este tipo de resultados são obrigatórios para se manter na posição em que está; caso contrário, cai no ranking.

Muito pragmaticamente, o João é um jogador com créditos firmados nos 50 primeiros do mundo. A classificação no ranking final ATP dos anos 2013 (49º) e 2014 (54º) assim o atesta. Ou seja, os dois últimos anos provam essa qualidade do jogador vimaranense. É um facto adquirido. Assim como, para mim, tem qualidade para entrar nos vinte primeiros do mundo. Não é o facto de apenas ter ganho uma final ATP em seis que me faz deixar de pensar isto.

Ganhar um set em piso rápido ao Raonic, classificado no top ten mundial, isso sim, é um excelente resultado (além do set conquistado ao canadiano, o João já tinha averbado um set contra Andy Murray, Roland Garros 2015, e Roger Federer, Halle 2014). Mas falta alguma coisa para que o João possa ir subindo no ranking e ganhar de forma consistente a jogadores melhores classificados do que ele, conseguindo melhores vitórias e mais títulos. Caso contrário, não estaria nos cinquenta primeiros e sim nos vinte primeiros!

Não posso deixar de terminar a crónica sem referir o seguinte: eu sei que o que vende atualmente são títulos sonantes e comparações com tudo e mais alguma coisa. Simplesmente existem coisas que não são comparáveis. O que o João Sousa faz agora é alicerçado no que muitos outros fizeram no passado no ténis português. Como diz a Google: “Nos ombros de gigantes.”

About Author

Ricardo Cayolla foi jogador profissional de ténis. Atualmente é responsável pela Cayolla academia de ténis. É comentador convidado de ténis no Eurosport e autor de cinco livros de ténis. Doutorado em Marketing e Estratégia, é Professor na Universidade de Aveiro.

2 comentários

  1. joaquim magalhães on

    O Sr. DR. R. Cayolla sempre quer tirar o total e único mérito ao João Sousa pelos exitos alcançados, esquecendo-se que os patamares de excelência a que chegou nada tem a ver com qualquer alicerce ou referência anterior do ténis português, por inexistentes. Não se apoiou em nada do ténis português, nem nas instituições ou personalidades a ele ligado. Ninguém o apoiou ou ajudou, apenas seus pais, treinadores e amigos tiveram e continuam a ter muita importância na sua carreira, da qual todos nos devia-mos orgulhar e tentar aproveitar, esta sim, como alicerce para continuação de sucesso no futuro do nosso ténis.
    Quanto ao futuro do nosso ténis, Sr, Ricardo, pessoas como o senhor terão que ser mais humildes e acreditar que sabem pouco, mas mesmo muito pouco, sobre o trabalho a fazer e sobre as exigências do ténis ao mais alto nível. Talvez quando acreditar-mos que é possível, mas com humildade e trabalho sério, muito sério e sem vaidades, conseguiremos mudar mentalidades e criar a cultura sobre este desporto fantástico, que é o ténis.
    Cumprimentos,

  2. João Manuel Gonçalves Marques on

    Grande artigo escrito por esta grande sumidade no tenis fantastico ! depois de ser ler verifica se que é uma personagem que está que bem dentro do actual mundo do tenis!!!
    Ceo,Dr,escritor etc,etc.que grande curiculium!!!!
    e tantos jovens e promissores jogares portugueses que precisavam de ter uma personagem desta o que estão a perder!!!!valha nos Deus !!!

Leave A Reply

Licença Creative Commons
O conteúdo produzido pelo Ténis Portugal não pode ser modificado sem autorização por parte do responsável do projeto; para efeitos de divulgação, reprodução e utilização não comercial, requer-se a referência ao Ténis Portugal. Licença Creative Commons Attribution - Non Commercial - No Derivatives - 4.0 International.