US Open, Dia 12: Os ‘suspeitos do costume’ na ‘final do costume’

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A final não é nova e o palco muito menos, ou não tivesse sido precisamente no US Open, no ano de 2007, que tudo começou para um e, no fundo, para a rivalidade dos dois. Na noite desta sexta-feira, Novak Djokovic e Roger Federer venceram os respetivos encontros para se apurarem para a grande final do US Open 2015, que marcará o 42.º encontro da história entre ambos e o primeiro reencontro na decisão de Nova Iorque nos últimos oito anos.

Novak Djokovic foi o primeiro a entrar em campo depois do espetáculo italiano nas meias-finais femininas e o seu encontro deixou muito a desejar. Não pela sua parte, mas pela de Marin Cilic, o campeão em título, que vencera os últimos 12 jogos em Flushing Meadows e procurava chegar a uma nova final. A exibição do croata foi tão ‘apagada’ que no marcador ficaram apenas 39 pontos ganhos e, imagine-se, três(!) jogos. Os parciais? Surpreendentes e desequilibradíssimos 6-0 6-1 6-2, que deixavam o público com fome de espetáculo.

Esperava-se maior equilíbrio e mais emoções na segunda e última meia-final, que opunha os suíços Roger Federer e Stanislas Wawrinka, e assim foi mas depressa se percebeu que com o arrancar (e vitória) do parcial inaugural, seria Federer, o mais experiente e citado dos dois, a fugir na liderança do marcador. O embate entre os dois compatriotas e amigos foi um jogo muito bem disputado e com grandes pontos de parte a parte, sim, mas realizado a uma velocidade demasiado elevada e não tão equilibrado quanto se esperara.

Federer, o segundo cabeça de série, e Wawrinka, o quinto, exibiram todo o seu leque de pancadas e não tardou até que o vice-campeão de Wimbledon fizesse uso da sua (agora mediática) resposta bem dentro do campo para destabilizar os jogos de serviço do adversário, que procurava fazer uso da sua esquerda, das pancadas ‘à figura’ e, também, de subidas à rede surpreendentes para recuperar terreno. Mas nada feito, porque desta vez Federer estava atento, tinha as suas armas ‘à mão’ e estava empenhado em vencer. E assim foi; fê-lo por 6-4 6-3 6-1.

Com a vitória, o tenista suíço garantiu o regresso a uma final do US Open pela primeira vez desde 2009 — quando perdeu para Juan Martin del Potro depois de cinco anos seguidos a vencer — e, com o triunfo do sérvio, garante que o torneio terá uma final entre os dois primeiros cabeças de série (esteve perto de ter duas, não fossem Williams e Halep derrotadas também nesta sexta-feira).

É o ‘capítulo 42’ e o regresso dos duelos no US Open

São atualmente o primeiro e o segundo da hierarquia mundial ATP e também os dois primeiros cabeças de série do US Open. Novak Djokovic e Roger Federer já se encontraram por 41 vezes no circuito e as últimas cinco foram todas esta temporada e em finais; o duelo de domingo não será excepção.

Se foi em Monte Carlo, no Masters 1000 local, que tudo começou, a rivalidade teve ainda uma bela passagem pelo Australian Open (Federer venceu nos ‘oitavos’ em três sets), mas foi no US Open de 2007 que tudo verdadeiramente começou. Djokovic vinha do título no Canadá, conquistado precisamente frente ao suíço, e disputava a sua primeira final de sempre em torneios do Grand Slam. Era o primeiro duelo entre ambos numa final de um dos quatro maiores torneios do mundo (o suíço venceu em sets diretos) e o grande começo de uma das rivalidades que assume maior destaque na atualidade (e na história).

Porque depois da final de 2007 (e falando apenas do US Open), os dois voltaram a encontrar-se nas meias-finais de 2008 e 2009 (novas vitórias de Federer e ainda com relativa facilidade, por 76-3 5-7 7-5 6-2 & 7-6[3] 7-5 7-5), mas foi em 2010 e 2011 (anos em que mediram forças por 10 vezes) que disputaram dois dos encontros mais épicos de que há memória nos anos recentes: em ambos, Roger Federer chegou a ter match points para seguir para as finais e em ambos Novak Djokovic recuperou para vencer em cinco partidas. Primeiro por 5-7 6-1 5-7 6-2 7-5, depois por 6-7(7) 4-6 6-3 6-2 7-5.

Desde aí, defrontaram-se por diversas vezes (18, na verdade) mas não mais em Nova Iorque. Djokovic começou a dominar o ténis, venceu em 2011 e chegou às finais de 2012 e 2013. Quando a Federer, continuava sem alcançar nova final desde a derrota surpreendente para Del Potro. Até este ano. Sem perder qualquer set desde que celebrou o seu 34.º aniversário (são já 28 consecutivos, com a vitória em Cincinnati e a chegada à decisão esta semana) ‘vulgarizou’ os seis adversários que teve pela frente para fazer agora frente ao maior desafio que pode ter nos últimos anos: Novak Djokovic.

Quem vencerá? Não sabemos. Agora podemos apenas basear-nos nos números: Federer lidera por 21-20, Djokovic por 3-2 na presente temporada. São sempre registos apertados, muito apertados, e que perspetivam um grande embate já neste domingo. É imperdível.

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Gaspar Ribeiro Lança

[email protected] | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. Mais, sempre mais. Foi com o objectivo de fazer chegar este capítulo do desporto a mais adeptos que fundei o Ténis Portugal em 2010. Cinco anos depois, fui convidado a ser co-responsável pela redação dos conteúdos do website, newsletter e redes sociais do Millennium Estoril Open.