US Open 2015 – Surpresas e Desistências

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A primeira semana do US Open 2015 foi marcada por surpresas e desistências. Ainda mal tinha começado e já entrava para a história. Porém, não pelos melhores motivos: na primeira ronda do torneio, disputada entre segunda e terça-feira sob uma temperatura que atingiu 32ºC e níveis de humidade elevados durante o dia, 12 tenistas (10 homens e duas mulheres) abandonaram os seus confrontos. Os casos foram desde jogadores com cãibras a encontros que acabaram precocemente e a gerar polémica.

Este é um novo recorde de desistências numa única ronda de um Grand Slam. A marca anterior era de nove, em três eventos diferentes: primeira ronda do Open da Austrália de 2014, segunda ronda da edição de 2013 de Wimbledon, e primeira ronda do US Open de 2011. Mais do que ter sido na 1ª semana, quase tudo se passou nos dois primeiras dias. Uma razia total que deixou o meio tenístico um pouco pensativo e meio atordoado

Falemos das desistências, um capítulo onde a polémica ‘estalou’. Se algumas delas foram pela alta temperatura a que se juntou um teor elevado de humidade, deixando alguns dos jogadores em estado físico lamentável, outras deixaram todos a pensar. As desistências em alguns encontros levaram a que se questionasse o facto de alguns jogadores estarem lesionados ou não se apresentarem nas melhores condições. Então porque entraram em court? Para receberem o prémio monetário no valor de cerca de 40.000 dólares americanos. Dois casos saltam à vista: Vitalia Diatchenko e Aleksandr Nedovyesov. A tenista de 25 anos, nº86 do ranking WTA, passou apenas 30 minutos no court até desistir do duelo com a americana Serena Williams. Diatchenko disputou a partida claramente lesionada no pé esquerdo, ela que vem de operação no tendão de Aquiles e em 2011 passou por uma cirurgia no joelho para tratar os ligamentos, o menisco e cartilagens após ser operada de forma errada.

Outro caso que não está muito bem explicado foi a saída do ucraniano Aleksandr Nedovyesov pouco depois de perder o segundo set para Lleyton Hewitt. Embora haja a atenuante do US Open ser o último Grand Slam do ano, com oito meses de torneios nas pernas dos tenistas, não se deixou de questionar a forma como alguns se apresentaram em court, seja por estarem “lesionados” ou em clara queda de forma, resultado de uma época desgastante. Curioso o comentário de Rafa Nadal, que disse que nem todos são jogadores de topo, necessitando claramente do prémio monetário para prosseguir com as suas carreiras.

As desistências, ou retiradas de jogo, conjugadas com as eliminações precoces foram tantas que na metade de cima do quadro feminino só restou Serena Williams como top 10. No quadro feminino, esperava-se competição renhida, com Serena Williams a aparecer novamente como alvo a abater. Mas mais do que isso, a norte-americana tenta fazer o Grand Slam: Australian Open, Roland Garros, Wimbledon e US Open no mesmo ano. Consequências, os bilhetes para a final feminina esgotaram e antes da final masculina.

Aqui, as surpresas vieram de: Ana Ivanovic, nº7 do mundo, foi a primeira top 10 a cair. Cedeu perante a ex-top 10 Dominika Cibulkova, actual nº50 do mundo, que tenta reencontrar seu melhor tênis após um tempo afastada. Já a checa Karolina Pliskova, nº8 e considerada a campeã da US Open Series (torneios que se disputam antes do US Open e que servem de preparação para este) venceu apenas três jogos diante da ex-georgiana e agora americana Anna Tatishvili, nº121 do ranking: 6/2 e 6/1. Mas as surpresas não ficaram por aqui. Jelena Jankovic, nº21, diante da WC, a francesa Oceane Dodin, nº128 (2/6, 7/5 e 6/3). A lista de cabeças de série eliminadas ainda inclui a espanhola Carla Suárez Navarro, nº 10 do mundo, que já acumulava seis derrotas seguidas e voltou a perder perante a checa Denisa Allertova, nº77.

Já no quadro masculino a grande surpresa aconteceu com a eliminação de Kei Nishikori, número 4 do mundo e atual vice-campeão do torneio, logo na 1ª ronda. Teve dois match-points, mas acabou a ceder em cinco sets: 6/4, 3/6, 4/6, 7/6(6) e 6/4. O culpado, o francês Benoit Paire, nº41. Consequências, se este parte do quadro era tida como fraca, agora mais fraca ficou. Temos a juntar ao que dissemos anteriormente, a desistência de Gael Monfils e uma das vagas nos quartos de final ficaria entre Paire, Ilhan, Groth, Robredo, Tsonga, Granollers, Stakhovsky e Marchenko. Noutros tempos, Tsonga seria favorito, mas hoje em dia e depois do que assistimos nesta semana, parece justo dizer que qualquer coisa pode acontecer nesta parte do quadro.

Mas nem tudo são más surpresas: Eugenie Bouchard venceu. A canadiana, que ao longo da época foi acumulando desaires, aceitou trabalhar ainda que sem assumir compromisso com Jimmy Connors e venceu, chegando mesmo aos oitavos-de-final [de onde entretanto foi forçada a desistir devido a uma lesão na cabeça]. Venus Williams também tem vencido e parece querer marcar presença nos quartos de final, onde defrontará a sua irmã.

Outro aspeto a salientar é que a qualidade de alguns encontros tem sido enorme: Fognini – Nadal, Cibulkova – Bouchard, Azarenka – Kerber, Wawrinka – Chung, Murray – Mannarino, entre outros.

É que um ano depois da espectacular batalha entre os “outsiders” Marin Cilic e Kei Nishikori na final do torneio masculino, o US Open estava de regresso com novos desafios para os “Big Four”, trazendo à discussão alguns aspectos interessantes:

  • Andy Murray e Novak Djokovic parecem estar mais do que nunca na melhor posição para atingir a final e substituir no panorama tenístico o duo Federer – Nadal.
  • A última vitória de Roger Federer num Grand Slam foi em 2012 – Wimbledon — e no US Open data do longínquo ano de 2008. Mas o suíço aparece mais agressivo e a praticar um ténis cada vez mais semelhante ao do seu conselheiro Stefan Edberg: grande percentagem de pontos jogados à rede e até o recurso à resposta como modo de subir à Será que vai conseguir chegar à final e erguer a taça, colocando o nº de vitórias em 18 títulos do Grand Slam?
  • Desde o triunfo de Stan Wawrinka no Open de França será que ainda se pode falar de “Big Four”? As últimas vitórias em torneios do Grand Slam têm sido de Djokovic ou dele. O último título que não lhes pertence foi ganho por Nadal em Roland Garros – 2014.
  • E por falar em Stan “the MAN” Wawrinka, será que passou a pertencer ao clube dos jogadores favoritos a ganhar os “Major”?

Após esta 1ª semana, muitas dúvidas e incertezas ficaram no ar. Dos que sobreviveram, quem estará em condições de discutir o titulo? Será outra final entre “outsiders”? Aqui destacamos Cilic (defensor do titulo), Tsonga, Fognini (vencedor contra Nadal), ou consagrados Murray, Federer e Wawrinka, já que Nadal foi eliminado? Na prova feminina, Serena Williams tem a final garantida. Mas a sua irmã pode atrapalhar. Já na parte de baixo, Victoria Azarenka e Simona Halep parecem ser as melhor preparadas para chegarem à final. Este domingo arrancou a segunda semana resta-nos dizer: prognósticos só no final do torneio.”

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Head-coach no São João Ténis Clube; Comentador convidado Eurosport em torneios do Grand Slam;

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