À sombra do ídolo, nossos meninos constroem suas histórias

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Em 2010, o Brasil viu Thomaz Bellucci alcançar o posto de 21º do ranking da ATP, o que coloca o tenista da cidade de Tietê como o segundo maior da história do país em termos de ranking. Entre 2009 e 2015, Bellucci conquistou seus quatro títulos em nível ATP, o primeiro deles no extinto 250 de Viña Del Mar, no Chile, e o último há três semanas em Genebra, na Suíça. Além de dois vice-campeonatos.

Também neste período, o Brasil colocou cinco jogadores diferentes entre os 100 melhores do mundo, além de Bellucci, estiveram ali: Rogério Dutra Silva, Marcos Daniel e Ricardo Mello. Estes dois últimos já retirados do tênis profissional e João Olavo Souza (Feijão), atual 70º.

O número pode ser comemorado no Brasil, mas é pouco para um país tão grande. Para se ter um comparativo, no ranking desta semana (08/06) a Espanha, que é uma nação que tem pouco mais de 1/5 da população do Brasil, possui cinco tenistas entre os 21 melhores do mundo. Tudo graças a seu trabalho de base iniciado no fim da década de 1980 e que construiu um cenário favorável a esta geração.

No tempo de vida do Ténis Portugal, 2011 foi a última vez que um Grand Slam contou com três brasileiros em sua chave principal, no Australian Open, onde curiosamente Bellucci estreou com vitória sobre Marcos Daniel.

Mesmo com resultados muito melhores que na década de 1990 e inicio dos anos 2000, sempre desconsiderando os números do fenômeno Guga Kuerten, o público brasileiro ficou “mal acostumado” e mesmo que 35% dos que acompanham o esporte atualmente no país não tenham vivido e celebrado a carreira de Guga, seja pela idade ou a não identificação do esporte, muito se exige, a ponto de o público do Brasil Open, quase 9 mil pessoas, vaiou Bellucci após ser eliminado pelo italiano Filippo Volandri nas quartas de final em 2013. Aquela foi a segunda eliminação seguida do brasileiro para o italiano no torneio paulista.

Os ‘meninos’ do Brasil ainda trouxeram o país de volta à elite da Taça Davis em 2012 e desde então o time canarinho tem vivido de disputar a primeira rodada do Grupo Mundial, cair e ir aos playoffs. Apesar de um número um perigoso e uma das melhores duplas do mundo, para avançar contra as melhores equipes do mundo “o Brasil precisa de um final de semana impecável e inspirado de Thomaz Bellucci para vencer”.

Estas são as palavras do capitão brasileiro João Zwetsch e foi assim, que o Brasil conquistou sua maior vitória em sua recente história na Taça Davis ao eliminar a toda poderosa Espanha nos playoffs do Grupo Mundial em 2014, após disputar o zonal sul-americano.

A Taça Davis ainda consolidou as duplas no tênis brasileiro. A parceria de Bruno Soares e Marcelo Melo é das pouquíssimas no mundo que pode afirmar ter vencido os irmãos Bob e Mike Bryan, maior dupla da história, jogando nos Estados Unidos. Juntos, os mineiros de Belo Horizonte conquistaram quatro títulos ATP e fizeram outras cinco finais. Amigos de infância, em 2012 eles decidiram separar a dupla no circuito profissional.

Soares disputou meia temporada ao lado do norte-americano Eric Butorac, conquistou um título, até firmar parceria com o austríaco Alexander Peya. Juntos Soares/Peya conquistaram 11 títulos, dentre eles o bicampeonato no Masters do Canadá e outros 11 vices, sendo um deles o US Open em 2013. Aliás, é em Nova York que Soares construiu sua história nos Grand Slams. Ali ele tem dois títulos nas duplas mistas, o primeiro em 2012 ao lado da russa Ekaterina Makarova e o segundo ao lado da indiana Sania Mirza.

Melo, por sua vez, fixou parceria com o croata Ivan Dodig, apesar de jogar algumas vezes com outros companheiros de circuito. Melo/Dodig tem três títulos juntos, sendo o Masters de Xangai em 2013 e Roland Garros 2014 os mais importantes. Como vice, foram sete torneios, o mais importante deles a final em Wimbledon 2013 e o ATP Finals em 2014.

Além das grandes conquistas de Marcelo e Bruno, o circuito de duplas tem ganhando espaço no Brasil. Tudo porque o brasileiro tem preferência por esportes coletivos, de acordo com pesquisas da eCGlobal..

Um livro com poucas páginas…

O tênis feminino do Brasil viveu suas glórias antes da criação da WTA. A paulista Maria Esther Bueno encantou o mundo com sua elegância e forte saque. Jogou 35 finais de Grand Slam, tem 18 títulos, sendo em simples um tetracampeonato no US Open (1959,63,64 e 66) e o tri em Wimbledon (59,60 e 64).

Após o reinado de Maria Esther, o Brasil contou com lampejos de boas jogadoras até que Teliana Pereira, uma jovem de origem simples, surgiu para quebrar barreiras e recolocar o Brasil no circuito WTA.

Em 2014, em Melbourne, Teliana foi a primeira brasileira em 20 anos a disputar a chave principal de um Grand Slam. Já em 2015, uma nova escrita foi quebrada pela pernambucana, que venceu um título nível WTA após 25 anos. Teliana sagrou-se campeã em Bogotá, em março.

Na Fed Cup, apesar do bom time, que conta com jovens atletas, o Brasil tem parado nos últimos anos na final do regional. Entretanto, de acordo com a capitã Carla Tiene: “As meninas têm trabalhado unidas e em crescimento conjunto, o que as favorecerá individualmente e em grupo pela competição”.

Este artigo é o segundo de uma série de quatro trabalhos preparados por Ariane Ferreira [o primeiro pode ser lido aqui] para o mês em que o Ténis Portugal celebra o seu quinto aniversário.
– O Ténis Portugal optou pela não-adaptação dos textos de forma a manter a integridade da escrita e expressões utilizadas ao longo de todo o texto.

About Author

Natural de São Paulo, Brasil, é jornalista e tem atuado em diferentes frentes desde os 18 anos. Especialista em música e futebol, encontrou-se com o ténis ainda em criança, na década de 1990, e entusiasmou-se ainda mais com todo o Brasil em 1997, incentivada pelo fenómeno Guga Kuerten. Entre coberturas gerais e, inclusive, em diferentes desportos, encontrou-se definitivamente com o ténis após dois convites distintos: cobrir o US Open 2011 e a Taça Davis, no mesmo ano. Além de estar hoje no Ténis Portugal, escreve para a imprensa brasileira, espanhola, argentina e equatoriana.

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