Roland Garros, Dia 12: A uma vitória da glória

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Serena Williams e Lucie Safarova. São elas as grandes finalistas de Roland Garros no que ao quadro principal de singulares femininos da edição de 2015 diz respeito. A final — a primeira entre uma checa e uma norte-americana desde 1987 — disputa-se no próximo sábado, às 14h (transmissão Eurosport) e em jogo estará um dos troféus mais desejados de todo o planeta.

Emocionante, imprevisível, disputado. Na primeira das duas meias-finais, Lucie Safarova defrontava a mais experiente Ana Ivanovic, campeã do torneio no ano de 2008. Levou a melhor a checa, em apenas dois parciais, por por 7-5 7-5. Mas pelo meio houve muito a discutir e, no final, sobrou muito para contar.

A disputar as suas primeiras meias-finais em torneios do Grand Slam desde que venceu a competição, há sete anos, Ivanovic entrava para o court como a teórica favorita mas do outro lado da rede tinha pela frente a ‘carrasca’ de Anastasia Pavlyuchenkova, Sabine Lisicki, Garbine Muguruza e Maria Sharapova, sempre em dois sets. O historial não intimidou a favorita do público, que rapidamente construiu uma vantagem de 5-2, mas o que se seguiu veio mais tarde a revelar-se como uma machadada decisiva no encontro: Safarova, que disputava meias-finais de um evento da categoria pela segunda vez (Wimbledon 2014) na carreira, venceu cinco jogos consecutivos para se adiantar no marcador.

E no segundo parcial, se a história foi diferente, o resultado foi o mesmo. Os mesmos sete jogos a cinco, a mesma superioridade. Desta vez com mais nervosismo na parte final, onde chegou a ser quebrada quando vencia para fechar o encontro, mas outra solidez nos jogos de serviço. Ivanovic teve as suas hipóteses, sim — e bastantes — mas foi Safarova quem fez mais pela vitória. Os números provam-no: a sérvia, que passa constantemente a marca dos trinta winners, ficou-se pelos 25 (e 35 erros não forçados), a que se opõe a relação 36/31 da checa, que assim atinge a sua primeira final de sempre em Majors.

“Quando percebi que podia apurar-me para a final fiquei um bocadinho tensa. A 5-4 no segundo set [quando serviu]comecei a pensar demasiado e não me consegui concentrar mas quando perdi o meu jogo de serviço recuperei e comecei a jogar de forma agressiva outra vez para fechar o jogo. Ainda não acredito [que estou na final], é um pensamento que está a ser absorvido lentamente e é incrível. Estou muito feliz.”Lucie Safarova, a primeira finalista da edição de 2015 de Roland Garros

À festa de Safarova, que se tornou na primeira jogadora oriunda da República Checa a atingir a final de Roland Garros desde 1981 (Hana Mandlíková derrotou Sylvia Hanika, por 6-2 6-4) seguiu-se o drama e (nova) recuperação da número um mundial, Serena Williams. Visivelmente desgastada nas horas que antecederam a subida ao palco principal do Stade Roland Garros, a norte-americana não teve armas para o atrevimento inicial da estreante em meias-finais, Timea Bacsinszky, mas acabou por conseguiu protagonizar uma nova recuperação na competição e triunfar por 4-6 6-3 6-0.

Nas últimas imagens do encontro, a jovem suíça foi vista a abandonar o campo em lágrimas e de ‘coração’ nas mãos (um gesto bonito para todos os milhares de fãs que ao longo das últimas duas semanas a apoiaram) e será assim que, mais tarde, recordará a sua passagem pela prova: a caminhada foi única, memorável, e quase perfeita. Faltaram pequenos detalhes que, frente a uma número um mundial mais ou menos desgastada, se revelaram cruciais. Faltou a experiência — e essa, Serena tem de sobra. Afinal, está a apenas dois sets de conquistar o seu vigésimo(!) título em torneios do Grand Slam.

À data de publicação deste artigo, 19h59 em Portugal Continental, Serena Williams estava ainda a ser observada pela médico oficial do torneio, razão pela qual teve de adiar a sua conferência de imprensa.

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Gaspar Ribeiro Lança

[email protected] | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. Mais, sempre mais. Foi com o objectivo de fazer chegar este capítulo do desporto a mais adeptos que fundei o Ténis Portugal em 2010. Cinco anos depois, fui convidado a ser co-responsável pela redação dos conteúdos do website, newsletter e redes sociais do Millennium Estoril Open.