Roland Garros, Dia 10: “Roland, Je t’aime” atenua episódio de pânico

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Terminou mais um dia de ténis Paris mas, no final, o resultado poderia ter sido outro. Hoje, e como sempre, as atenções estiveram viradas para dentro do campo mas foi nas bancadas do Court Philippe Chatrier que se viveram os momentos de maior tensão. Resolvida a queda (literal) de estrutura pôde festejar-se em bom francês.

Emoção até ao fim (e um pouco mais do que ‘só’ no campo)

Jo-Wilfried Tsonga. No final de tarde desta terça-feira em Paris, é dele o destaque. É dele a festa, serão deles as capas, é dele a meia-final. Mas. Que. Dia. Que emoção. Vive-se e respira-se ténis na capital francesa nas últimas semanas e o público local não poderia ter sido presenteado com um melhor resultado. Bom, pelo menos a nível de jogadores ‘da casa’.

Arrasador. Com a quinta engrenada desde o primeiro ponto, sem escrúpulos. Jo-Wilfried Tsonga fez o que parecia impossível e entrou em campo a todo o gás para deixar sem resposta um Kei Nishikori muito apático, que demorou a entrar no jogo e por pouco não saiu pela porta pequena no mais curto dos resultados. No final, e ao fim de uma intensa batalha e quase quatro horas de jogo, a vitória sorriu ao gaulês, sim (e por 6-1 6-4 4-6 3-6 6-3) mas durante o embate viveram-se momentos de pânico.

É que, quando o gaulês de trinta anos liderava confortavelmente por 6-1 5-2, uma ‘parte’ do marcador de resultados de um dos cantos do estádio soltou-se da estrutura do Court Philippe Chatrier e caiu de uma altura significativa. O caos instaurou-se, alguns espectadores foram atingidos (no final, soube-se que todos os feridos registados eram ‘ligeiros’) e o encontro foi interrompido.

Durante mais de trinta minutos não se jogou no court principal de Roland Garros e enquanto Kei Nishikori se recompunha no balneário para mais tarde protagonizar uma quase-recuperação que viria a entusiasmar as bancadas e forçar Tsonga a trabalhos extra (razão pela qual a celebração, com a frase ‘Roland, je t’aime’ escrita na terra batida, está a dar tanto que falar), Stanislas Wawrinka começava a desenhar aquela que seria uma das vitórias do torneio e da sua carreira.

Duelo de suíços, muitas emoções, cobertura e expectativa mundial. Se no court principal o apoio era de sentido único, com todas as energias centradas em ‘Jo’, também no Suzanne Lenglen se ouviam cânticos. Não para os dois, mas para um jogador. É que, em Paris e como tem vindo a ser ‘marca’ desde que pisou o court pelas primeiras vezes, Roger Federer é, digamos, quase francês.

E assim teve de remar Stanislas Wawrinka, contra a maré composta por milhares de espectadores e, claro, uma das suas ‘bestas negras’ no circuito. Mas… Amigos amigos, negócios à parte, e hoje o segundo melhor classificado dos dois suíços subiu ao degrau mais alto do encontro para, em apenas três sets e com um ténis ofensivo que deixou Federer sem reação, triunfar com relativa rapidez: 6-4 6-3 7-6(4) para obter a sua 3ª vitória em 19ª encontros contra o compatriota e… A primeira em torneios Major. Uma vez mais, quebrou uma barreira.

Será ‘7’ o número da sorte’?

Se no quadro masculino Jo-Wilfried Tsonga procura chegar à sua primeira final de torneios do Grand Slam desde que o fez em Melbourne, no ano de 2008, Ana Ivanovic apurou-se hoje para as suas primeiras meias-finais em eventos da mesma categoria desde… 2008. Isso mesmo, sete — uma vez mais, cá está — anos depois de ter ganho em Paris.

Entrou para o court a sorrir e saiu dele com tantos ou mais para o fazer: frente à ‘atrevida’ Elina Svitolina, que uma vez mais poucos argumentos conseguiu apresentar, a sérvia dominou e encantou para vencer em apenas dois sets, por 6-3 56-2, e garantir a despedida ‘feliz’ de um dos seus amuletos da sorte na edição deste ano de Roland Garros. Sebastian Schweinsteiger, o seu atual namorado, deixa hoje a capital para se juntar à seleção germânica nos trabalhos para o apuramento para o próximo Campeonato da Europa.

Não faltarão, contudo, motivos para a sérvia baixar a guarda e dar por encerrada a festa. Depois de um começo de temporada muito à quem das expectativas, somou esta semana a sua primeira vitória sobre uma top20 mundial em 2015 e hoje voltou a mostrar-se muito consistente para somar uma nova vitória em duas partidas. O próximo obstáculo não será, no entanto, nada fácil: Lucie Safarova venceu a batalha das outsiders não tão outsiders frente à espanhola Garbine Mugurza, por 7-6(3) 6-3 (num encontro que contou com um dos melhores primeiros parciais de todo o torneio) para marcar presença nas suas primeiras meias-finais em Paris e segundas da carreira em Grand Slams, depois de Wimbledon no último ano.

Amanhã, será dia de Novak Djokovic e Rafael Nadal se defrontarem no encontro mais antecipado e aguardado de toda a temporada. Em jogo, está um lugar nas meias-finais e, claro, a contestação do título. Enquanto o espanhol persegue a sua décima taça de campeão em Paris, o sérvio procura estrear-se a vencer na terra batida do torneio ‘rei’.

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Gaspar Ribeiro Lança

[email protected] | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. Mais, sempre mais. Foi com o objectivo de fazer chegar este capítulo do desporto a mais adeptos que fundei o Ténis Portugal em 2010. Cinco anos depois, fui convidado a ser co-responsável pela redação dos conteúdos do website, newsletter e redes sociais do Millennium Estoril Open.