Quebrar barreiras aos trinta anos

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A vida ainda é uma criança e que o diga Stanislas Wawrinka, um dos homens do momento em Paris. Em luta pela sua terceira vitória (em 19 encontros) frente a Roger Federer, o «menos» cotado dos dois helvéticos surpreendeu a gíria ao levar a melhor sobre o seu compatriota em apenas três sets. Lutou contra a idade, contra o estádio Suzanne Lenglen cheio e a favor do número dois mundial. E quebrou uma nova barreira.

Depois de Melbourne, em 2013, a vida de Wawrinka mudou. Entre os momentos marcantes da sua ascensão a nível global esteve a vitória na penúltima edição do Portugal Open e se é verdade que o resultado do Australian Open desse ano nem foi o melhor (perdeu na quarta eliminatória), deu-lhe algo que poucos triunfos poderiam fazer: a confiança necessária para lutar com os melhores dos melhores.

‘Aquele’ resultado frente a Novak Djokovic (uma derrota, é certo, mas acima de tudo a maior ‘injeção’ de confiança da sua carreira até ao ano seguinte) num serão de elevadas temperaturas — literais e metafóricas — marcou a carreira de Stan The Man. Deixou de viver na sombra de Roger Federer e começou a construir a sua própria história digna de seguidores um pouco por todo o mundo. Doze meses depois, brilhava sob os holofotes e flashs de todo o mundo. Se entre 2005 e 2012, nos 22 e dois torneios do Grand Slam que disputou, chegara por duas vezes (US Open 2010 e Australian Open 2011) aos quartos-de-final, desde o ano de 2013 atingiu (pelo menos) essa etapa em sete dos dez eventos que disputou. Os números falam por si, sim, e suportam o combate à idade. Os trinta anos não são uma barreira e o momento de forma comprova-o.

A alcunha de Stanimal tem vindo, por isso, a fazer cada vez mais sentido. E é o próprio quem revela (hoje uma vez mais) que “vencer o Australian Open fez-me passar a acreditar que posso vencer os grandes jogadores.” Oh, se fez… E aí está ele, com a sua primeira vitória sobre Roger Federer (que liderava o head-to-head por 16-2) em torneios do Grand Slam ‘no bolso’, e logo em três sets — 6-4 6-3 7-6(3) — , e o consequente inédito apuramento para as meias-finais em Paris.

Autoritário, consistente, com nervos de aço. Irrepreensível. Assim foi Stanislas Wawrinka, o campeão do Australian Open, Masters 1000 de Monte Carlo e Taça Davis em 2013, na tarde desta terça-feira. Apresentou-se ao seu melhor para quebrar as barreiras que lhe eram colocadas do outro lado do campo e ‘negar’ a reação a Roger Federer, a quem faltaram armas para contrariar o poderio e inspiração do seu adversário.

E agora, até onde poderá ir? Está nas meias-finais e aguarda pelo desfecho do embate entre Jo-Wilfried Tsonga e Kei Nishikori. do outro lado, estão ainda Novak Djokovic, Rafael Nadal, David Ferrer e Rafael Nadal.

Certo é que, se viesse a publicar um livro, Stanislas Wawrinka poderia precisamente dar-lhe o título deste artigo.

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Gaspar Ribeiro Lança

[email protected] | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. Mais, sempre mais. Foi com o objectivo de fazer chegar este capítulo do desporto a mais adeptos que fundei o Ténis Portugal em 2010. Cinco anos depois, fui convidado a ser co-responsável pela redação dos conteúdos do website, newsletter e redes sociais do Millennium Estoril Open.