O domínio de Williams sobre Sharapova

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A final do Australian Open teve como protagonistas Serena Williams e Maria Sharapova e terminou com mais uma vitória “esperada” de Serena Williams — nada de “anormal” para muitos. No entanto, o que justificará 15 vitórias seguidas de uma jogadora sobre a outra? O que justifica um score de 17-2 favorável a Williams?

O 1º confronto deu-se em 2004. E aquilo que parecia vir a ser um ascendente de Sharapova (que perdeu o primeiro encontro e venceu as duas finais seguintes) tornou-se em 15 derrotas seguidas de Sharapova. Para quem segue com atenção o circuito feminino, os confrontos entre ambas mostram sempre um fosso/superioridade para o lado de Williams; chega a ser confrangedor a linguagem corporal de Sharapova, mostrando algum desconsolo e sentimento de impotência. Mesmo quando o resultado mostra números mais nivelados, quem assiste apercebe-se da “impotência” de Sharapova.

Muitas coisas as separam mas também muitas outras as unem. Serena é a mais velha e domina o ranking mundial nos últimos anos. São titulares de vários Majors, com larga vantagem para a americana [19-5 em títulos]. Ambas são produto da vontade/orientação paternal. Passando ambas pelas mãos de Nick Bollettieri, continuam a treinar sobre a supervisão dos pais, recorrendo a treinadores que as orientam tecnicamente. Podíamos elencar mais uma série de aspectos, que separam ou unem estas duas fantásticas jogadoras. Mas não nos parece que seja aqui que reside a justificação, ou se deva procurar, o ascendente de Williams sobre Sharapova.

Simplesmente, tão simplesmente, porque Serena Williams é melhor do que Maria Sharapova: serve melhor, a sua direita e esquerda são mais consistentes, fiáveis e mortíferas e fisicamente a americana é mais atleta do que a russa.

A nível táctico, Serena demonstra um jogo mais estruturado contra uma Sharapova que procura, no seu interior, a força que a leve a superar as suas adversárias. E é aqui que reside outro mistério. Quando a russa se vê em apertos, cerra o pulso, solta gritos estridentes e o nível do seu jogo sobe. Se esta força mental resulta com a maioria das adversárias, com Williams parece não ter efeito! Para vencer Williams é preciso “abanar” com a americana. Fazê-la mexer-se, tirá-la da sua zona de conforto de pancada. Obrigá-la a deslocações e ter que correr. Para bater Williams, há que saber trabalhar a bola. Aqui, Sharapova, que dispõem de “tiros” rápidos, não consegue desequilibrar a norte-americano. Os tiros de Sharapova são devolvidos ainda mais rápidos.

Juntemos um aspecto final: um ascendente psicológico que a americana parece exercer, não só sobre Sharapova, mas sobre todos as outras jogadoras/adversárias que têm que a defrontar. Até quando? O tempo o dirá.

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Head-coach no São João Ténis Clube; Comentador convidado Eurosport em torneios do Grand Slam;