“- Vais ver, o Nishikori e o Cilic vão chegar à final! – O quê? Estás louco!”

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Se há duas semanas lhe dissessem que Kei Nishikori e Marin Cilic estariam na final de singulares masculinos de um torneio do Grand Slam qual seria a sua reação? A de todo o planeta, muito provavelmente – “Estás louco!”. A princípio também os jornalistas pensaram assim. Nishikori foi muitas vezes apontado (considerou-se a si próprio) como em fracas condições para disputar o torneio enquanto Cilic chegou a enfrentar uma sala de conferências de imprensa vazia depois de vencer um encontro. Esta segunda-feira fazem história no circuito masculino. Por diversas razões.

“Mãe, vamos ter um campeão de um Major”, pode uma criança ter dito algures no Japão. Ao mesmo tempo, quem sabe, talvez um pequeno rebento croata tenha dito algo como “vamos voltar aos títulos nos grandes eventos já daqui a uns dias”. Ninguém está proibido de sonhar e muito menos os mais jovens. É por poderem sonhar que hoje celebramos uma final histórica para o ténis. No entanto, nunca em tempo algum um de nós, seres humanos que habitamos este mundo, considerou verdadeiramente o cenário. Não sobretudo tendo eles pela frente dois dos melhores da atualidade — admitamos, dois dos melhores de sempre.

Mas Nishikori e Cilic acreditaram; mantiveram dentro de si o espírito de criança que não pára de sonhar e ignoraram toda a especulação e falta de crença que à volta deles se foi desenvolvendo. Isolaram-se numa bolha de concentração com Michael Chang e Goran Ivanisevic, respetivamente, prontos para surpreender o mundo.

Um de cada vez, sonharam. Dentro do campo e sem perder noção da grande realidade que os rodeava, do intimidante ruído nova-iorquino e dos vinte mil espectadores. Cresceram para si, para o adversário, para os seus países. E fizeram história. Hoje, teremos a oportunidade de assistir a uma final sem a presença de qualquer um dos Big Four pela primeira vez desde o Australian Open 2005. Se fosse no próximo torneio do Grand Slam seriam dez anos certos.

Não é bonito transformar um sonho em realidade?

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Gaspar Ribeiro Lança

[email protected] | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. Mais, sempre mais. Foi com o objectivo de fazer chegar este capítulo do desporto a mais adeptos que fundei o Ténis Portugal em 2010. Cinco anos depois, fui convidado a ser co-responsável pela redação dos conteúdos do website, newsletter e redes sociais do Millennium Estoril Open.

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