Diário de Frederico Marques – 22ª entrada

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Esta semana, Frederico Marques fala-nos dos últimos quinze dias passados em solo norte-americano, onde o seu pupilo, João Sousa, participou nos quadros principais dos ATP Masters 1000 de Toronto e Cincinnati – defrontando dois ex-top10 e apurando-se mesmo pela terceira vez na carreira para uma segunda ronda nesta categoria. A não perder:

Foram duas semanas bem diferentes.

Relativamente à semana de Toronto, não chegamos nas melhores condições. O João esteve praticamente uma semana sem poder servir, devido a uma hérnia que já tem a algum tempo nas costas – nada de grave mas que lhe voltou a doer nas últimas semanas e condicionou algo a preparação para Toronto.

Jogou contra um grande jogador como é o Gulbis, um ex-top 10 e em grande progressão. Contra estes grandes jogadores é preciso estar mais que a 100% para poder lutar pela vitória. Alem disso, o Gulbis jogou a um nível muito alto no capitulo do serviço e resposta, algo crucial em piso rápido e ainda mais em Toronto, onde as condições eram muito rápidas.

Aproveitámos os dias restantes em no Canadá para continuar a trabalhar com tranquilidade e voltar a trabalhar regularmente o serviço.

A Cincinnati já chegámos um pouco mais preparados e com mais ritmo competitivo em piso rápido. O João defrontou um jogador vindo da qualificação na primeira ronda, que já vinha com alguma rodagem e muita confiança, e foi um jogo muito equilibrado, ainda com alguns altos e baixos da parte do João mas com uma grande estabilidade mental – esteve quase sempre por baixo no encontro e continuou a tentar recuperar de forma muito positiva. Foi um dos encontros mais sofridos e também mais estáveis que o João realizou nos últimos meses.

Na segunda ronda, defrontou o Andy Murray (um ex-top4). Foi um encontro muito à quem do que esperávamos, onde o João não conseguiu estar ao seu melhor nível, a movimentação não foi adequada e faltou ainda alguma ‘soltura’ na hora de defrontar as grandes estrelas. Somos conscientes de que é preciso ganhar aos melhores do mundo para continuar a subir no ranking.

Para algum dia poder estar entre os 30 melhores do mundo, há que estar mais competitivo e ganhar aos jogadores do top10. Estes atletas estão sempre nas rondas finais, assim como nos torneios onde se discutem mais pontos, por isso já é normal jogar contra eles. Agora, não podemos apenas jogar, há que acreditar e ganhar para continuar a melhorar no ranking.

Frederico Marques

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Gaspar Ribeiro Lança

[email protected] | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. Mais, sempre mais. Foi com o objectivo de fazer chegar este capítulo do desporto a mais adeptos que fundei o Ténis Portugal em 2010. Cinco anos depois, fui convidado a ser co-responsável pela redação dos conteúdos do website, newsletter e redes sociais do Millennium Estoril Open.