Novak Djokovic ergue título em Wimbledon

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Carl Court / AFP
Seria necessário todo o Dicionário de Oxford para descrever a final de singulares masculinos da 128ª edição do torneio de Wimbledon, onde, após 3h54′, Novak Djokovic levou a melhor sobre Roger Federer para voltar a erguer o troféu de campeão no Court Central do All England Club.
Se no início da tarde era em Silverstone (para mais uma edição da corrida de Fórmula 1) que se reuniam as atenções, o dia desenvolveu-se com os olhos postos em Wimbledon e em mais uma excelente final: uma das melhores, aliás, de torneios do Grand Slam nos últimos anos. De tal competitiva e equilibrada que foi, o sérvio de vinte e sete anos precisou de batalhar por cinco partidas antes de conseguir suspirar e gritar “vitória!“: 6-7(7) 6-4 7-6(4) 5-7 6-4 foram os parciais.
É unânime e foram precisos apenas alguns instantes para que assim o fosse concluído pelos melhores dos melhores. Preparava-se Novak Djokovic para levar os braços após o último ponto e já John McEnroe o afirmava: “Foi um dos melhores jogos a que alguma vez vamos poder assistir.” E foi mesmo! Com um total de 68 winners disparados do lado do sérvio e 75 do suíço, a que se acumulam apenas 27 e 29 erros não forçados, respectivamente, o embate caracterizou-se pelo carácter ofensivo do primeiro ao último instante.
A experiência de Federer falou mais alto no primeiro parcial – que, sem qualquer ponto de break, seguiu para um tiebreak – mas foi Djokovic quem mostrou reagir melhor às circunstâncias nos instantes seguintes. A verdade é que a determinada altura tudo parecia relativamente controlado para o lado do agora número um mundial (só uma vitória o colocava nesta posição), que serviu a 5-2 e teve um championship point ainda no quarto parcial, mas os nervos de aço do suíço apareceram finalmente. Contudo, apenas adiariam o inevitável para um entusiasmante quinto set.
“Este é o torneio que eu sempre sonhei vencer. É o melhor torneio, o que tem mais valor” começou por afirmar Novak Djokovic após a segunda vitória da sua carreira (a primeira teve lugar em 2011) em Wimbledon. Num discurso emocional, o sérvio focou-se naqueles que lhe são muito próximos: “Quero dedicar esta vitória à minha futura mulher e ao nosso bebé, que vai nascer brevemente […] e também à minha primeira treinadora, Jelena Gencic – foi ela que me ensinou a jogar -, que faleceu no ano passado. este título é para ela.”
De troféu na mão, Djokovic pode, agora, celebrar. Afinal, tem reunidos todos os motivos para tal: regressou às conquistas em torneios do Grand Slam derrotando aquele que é considerado o melhor de todos os tempos em relva, amealhou cerca de 2.200.000 euros em prémios monetários e recuperou o primeiro lugar do ranking mundial. Quanto a Federer, terá de esperar pelo menos mais alguns meses para conquistar o seu décimo oitavo troféu Major e falha o ‘assalto’ ao inédito oitavo no All England Club.

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Gaspar Ribeiro Lança

[email protected] | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. Mais, sempre mais. Foi com o objectivo de fazer chegar este capítulo do desporto a mais adeptos que fundei o Ténis Portugal em 2010. Cinco anos depois, fui convidado a ser co-responsável pela redação dos conteúdos do website, newsletter e redes sociais do Millennium Estoril Open.