Elias não sobrevive a estreia complicada

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Não se adivinhava tarefa fácil para Gastão Elias, que tinha como primeiro adversário da sua carreira em quadros principais de torneios do Grand Slam o ucraniano Alexandr Dolgopolov – vigésimo sexto cabeça de série do torneio, que desceu dois lugares em relação ao seu ranking actual devido à prestação menos positiva nos torneios de relva das duas últimas temporadas.
Com o ombro direito enfaixado no momento de entrada no Court 17 (uma recente mudança para uma raquete mais pesada causou dificuldades ao português, que por isso não competia desde Roland Garros), Elias mostrou-se desde cedo empenhado em lutar pelo encontro. Contudo, e face a um adversário que – apesar de não ter alcançado os melhores resultados da sua carreira em relva – é considerado como um dos mais talentosos da actualidade, pouco ou nada conseguiu fazer durante o primeiro parcial.
No segundo, e claramente mais adaptado à superfície (até agora só havia disputado jogos em piso rápido e em terra batida) e ao adversário, Gastão Elias esteve sempre por cima e por pouco não conseguiu quebrar o serviço de Dolgopolov na parte final do set, que lhe teria permitido igualar o encontro. No tiebreak, o encontro mudou de rumo e foi o ucraniano quem levou a melhor.
Se a derrota na segunda partida poderia abalar mentalmente o atleta português de vinte e dois anos, o bom início do terceiro set, em que quebrou o serviço do seu oponente, tornou o embate mais aliciante, algo que não se prolongou por muito tempo: Dolgopolov recuperou a quebra de serviço sofrida, confirmou com o seu saque e embalou para a vitória. 6-1 7-6(2) 6-2 foram os números que lhe permitiram concluir com sucesso a estreia na centésima vigésima sétima edição de Wimbledon.
Quanto a Gastão, abandona assim o All England Club com uma derrota, mas para trás fica uma estreia muito positiva que, caso não fosse condicionada por uma sempre incómoda lesão, poderia ter sido escrita de outra forma.

ARTIGO ESCRITO POR GASPAR LANÇA PARA REGISTO PESSOAL A 25.06.2013 E PUBLICADO PELA PRIMEIRA VEZ NO TÉNIS PORTUGAL A 11.08.2013 (TENDO A DATA SIDO POSTERIORMENTE ALTERADA PARA A DA SUA ESCRITA).

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Gaspar Ribeiro Lança

[email protected] | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. Mais, sempre mais. Foi com o objectivo de fazer chegar este capítulo do desporto a mais adeptos que fundei o Ténis Portugal em 2010. Cinco anos depois, fui convidado a ser co-responsável pela redação dos conteúdos do website, newsletter e redes sociais do Millennium Estoril Open.