Poder de Azarenka travou estreante Koehler

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Sorteado o quadro principal de singulares femininos, Maria João Koehler sabia que não ia ter tarefa fácil pela frente na sua estreia em Wimbledon, depois de em 2012 (na sua primeira deslocação a Londres tendo em vista a participação no torneio) ter sido derrotada na segunda ronda da fase de qualificação.
Victoria Azarenka, ex-número um mundial e vencedora das duas últimas edições do Australian Open (a que se adiciona ainda o vice-campeonato no último US Open), era a sua adversária e como tal o encontro seria disputado num dos maiores courts do All England Lawn Tennis and Croquet Club. O Court 1 foi o escolhido para o duelo entre a número um bielorrussa e a número um portuguesa, que procura chegar pela primeira vez ao top100 mundial.
Apesar de já contar com dois encontros frente a jogadoras que passaram pelo primeiro lugar do ranking (perdeu para Kim Clijsters na primeira ronda do Australian Open 2012 e para Jelena Jankovic na segunda ronda do mesmo torneio na presente temporada), a tenista portuense de vinte anos não tinha muitas referências em que se basear quando entrou no segundo maior court do complexo britânico, repleto de espectadores que ouviam pela primeira vez o seu nome e cujo apoio era maioritariamente dirigido à bielorrussa. Defrontar uma jogadora de topo nunca é tarefa fácil, como a própria afirmou mais tarde: “Estava um bocadinho nervosa no início mas é normal. Sentia-me bem e estava mentalizada porque sabia que iria ser um encontro muito duro”, razão pela qual escolheu começar a responder, de forma a tentar chegar ao break inicial.
Koehler esteve perto. Venceu três dos primeiros quatro pontos para chegar aos break points, com Azarenka a mostrar-se algo fresca no serviço, mas acabou por não conseguir convertê-los e o primeiro (e único) break para o lado da portuguesa apenas chegaria no segundo set, já depois da aparatosa queda de Azarenka, que transmitiu todo o pânico sofrido através de gritos e lágrimas. Gastão Elias, João Sousa, respectivos treinadores e alguns jornalistas da imprensa portuguesa marcavam presença no camarote de Koehler, mesmo ao lado do mediático Red Foo – sempre presente para apoiar a sua namorada – e tiveram vista privilegiada para o momento mais preocupante do dia, que por pouco não forçou a bielorrussa a desistir.
Ponto após ponto, o objectivo era claro: Koehler tinha de movimentar a sua adversária ao máximo para aproveitar uma eventual lesão no seu joelho. Claro, não fácil de realizar. Mesmo lesionada, foi Azarenka quem forçou a adversária à movimentação, continuando a executar pancadas potentes e profundas para, ao cabo de cerca de uma hora e meia de jogo, confirmar a vitória por 6-1 6-2. “Perdi o primeiro set por 6-1 mas tive diversas oportunidades para concluir jogos a meu favor e no segundo set também houve vários jogos discutidos nas vantagens (…),  estava mais solta, criei-lhe dificuldades e o resultado não corresponde ao que foi o encontro”, confessou Maria João em declarações após a sua estreia no quadro principal de Wimbledon.
Para trás fica a participação no seu terceiro torneio do Grand Slam da temporada, algo que nunca havia conseguido, pelo que um dos grandes objectivos para o segundo semestre da época é garantir o inédito apuramento para o US Open, depois de em 2011 e 2012 ter sido derrotada no qualifying. Afinal, Koehler pretende continuar a jogar torneios de nível muito elevado, como fez questão de afirmar para concluir as declarações dadas.
Fotografia de saul1333 gentilmente cedida ao Ténis Portugal.

ARTIGO ESCRITO POR GASPAR LANÇA PARA REGISTO PESSOAL A 24.06.2013 E PUBLICADO PELA PRIMEIRA VEZ NO TÉNIS PORTUGAL A 11.08.2013 (TENDO A DATA SIDO POSTERIORMENTE ALTERADA PARA A DA SUA ESCRITA).

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Gaspar Ribeiro Lança

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