O (im)previsível aconteceu novamente

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Não foi após cinco sets e por baixo do tecto amovível do histórico Centre Court de Wimbledon, não foi contra um adversário de Lukas Rosol e não foi na segunda ronda. Este ano, na 127ª edição do torneio britânico, Rafael Nadal saiu derrotado na eliminatória inaugural, num encontro disputado frente ao belga Steve Darcis no Court 1 e que terminou ao cabo de apenas três partidas.
A derrota da edição transacta para Rosol, depois de mais um triunfo numa final de Roland Garros e numa altura em que o espanhol pretendia preparar da melhor forma possível a participação nos Jogos Olímpicos (onde tinha o ouro a defender), foi surpreendente. Parou o mundo do ténis. hoje, a vinte e quatro de junho de 2013, cerca de um ano depois, Rafa volta a estar directamente ligado a um dos resultados menos esperados da temporada e, novamente, como o jogador derrotado.
Darcis, de vinte e nove anos e prejudicado por inúmeras lesões ao longo da sua carreira, um pouco à semelhança do maiorquino, ocupa um modesto 135º lugar no ranking mundial, bem longe do 44º no qual chegou a figurar no verão de 2008. Com dois títulos conquistados (um em 2007 e um 2008, em terra batida e piso rápido, respectivamente) não era levado em conta como um dos candidatos a derrotar o espanhol, numa altura em que já muito se falava sobre um eventual confronto entre Nadal e Roger Federer nos quartos-de-final. Não irá acontecer. Com apenas uma vitória no quadro principal de Wimbledon até hoje, apesar de contar com duas vitórias sobre top10s em relva, Darcis realizou o jogo da sua vida para se impor em três partidas 7-6(4) 7-6(8) 6-4 e depois de duas horas e quinze minutos sobre o campeoníssimo espanhol.
“Tentei preparar-me da melhor forma possível para este torneio, sabendo que ia ser mais difícil do que nunca e assim foi”, afirmou Rafael Nadal poucos minutos depois da conclusão do encontro. No entanto, o espanhol não foi o único a enfrentar dificuldades, dado que Rochus precisou de salvar um set point no tiebreak da segunda partida para manter a vantagem no marcador. Consumada a mini-reviravolta no desempate da segunda partida, o belga não mais largou o acelerador, e, após quebrar de início, embalou para uma vitória mais tranquila naquele que viria a ser o terceiro e último parcial.
A vitória do belga abafou assim o começo positivo de Roger Federer e Andy Murray, protagonistas da final de 2012 e que, com o desaire de Nadal, passam agora a ser considerados os favoritos indiscutíveis à chegada às meias-finais.
Fotografia de dgjourney gentilmente cedida ao Ténis Portugal.

ARTIGO ESCRITO POR GASPAR LANÇA PARA REGISTO PESSOAL A 24.06.2013 E PUBLICADO PELA PRIMEIRA VEZ NO TÉNIS PORTUGAL A 11.08.2013 (TENDO A DATA SIDO POSTERIORMENTE ALTERADA PARA A DA SUA ESCRITA).

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Gaspar Ribeiro Lança

[email protected] | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. Mais, sempre mais. Foi com o objectivo de fazer chegar este capítulo do desporto a mais adeptos que fundei o Ténis Portugal em 2010. Cinco anos depois, fui convidado a ser co-responsável pela redação dos conteúdos do website, newsletter e redes sociais do Millennium Estoril Open.