Djokovic revalida título no Australian Open

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Novak Djokovic conquistou na manhã deste domingo o seu quarto título do Australian Open, ao derrotar Andy Murray na final disputada na Rod Laver Arena após quatro partidas e três horas e quarenta e oito minutos de jogo, pelos parciais de 6-7(2) 7-6(3) 6-3 6-2.
Numa final arbitrada pelo australiano John Blom e que contou com múltiplas celebridades nas bancadas (como Kevin Spacey, Andre Agassi, RedFoo e Victoria Azarenka), o jogador sérvio de vinte e cinco anos acabou por conseguir recuperar da derrota na primeira partida e levar a melhor numa final muito tática, em que ambos os atletas se mostraram mais uma vez exímios a defender e pouco dados a correr grandes riscos, impedindo Murray de se tornar no primeiro jogador da Era Open a vencer os seus dois primeiros títulos major de maneira consecutiva.
Se no início do encontro, que se baseou muito nos pontos ganhos pelos dois jogadores após os seus primeiros serviços (razão pela qual, até ao final da terceira partida, apenas houve um break), Novak Djokovic se apresentava algo desgastado fisicamente, à medida que o jogo avançou o campeão em título subindo o seu nível de jogo e fazendo os preparativos para mais uma reviravolta.
Depois das vitórias em 2008, 2011 (ano em que derrotou precisamente o britânico no derradeiro jogo) e 2012, Novak Djokovic conquista assim o seu sexto título do Grand Slam (venceu ainda em Wimbledon e no US Open, em 2011) e consolida o estatuto de número um mundial, não perdendo quaisquer pontos para o suíço Roger Federer. Djokovic igualou ainda Federer e Andre Agassi com quatro títulos conquistados em território australiano e tornou-se no primeiro jogador a vencer por três vezes consecutivas o primeiro torneio do Grand Slam do ano na Era Open, alcançando também Stefan Edberg e Boris Becker na lista de vencedores de torneios major, que seis triunfos.
Desempenho de Novak Djokovic nos cinco últimos torneios do Grand Slam 
Desenvolvimento do encontro:

Tal como na final de 2012 e em todos os encontros que disputara anteriormente frente ao britânico em torneios do Grand Slam, Novak Djokovic começou a final a servir. Num primeiro set que não contou com qualquer quebra de serviço consumada (Murray teve de salvar cinco break points na fase final do parcial), tudo foi decidido no tiebreak, onde o finalista de 2010 e 2011 se mostrou mais confiante e estável desde o início – Djokovic começou mesmo com uma dupla falta) e perdeu apenas dois pontos, chegando assim ao triunfo por 7-2.

Murray deu continuidade ao bom nível com que terminou a primeira partida e venceu sete pontos seguidos para começar o segundo set, mas Djokovic conseguiu salvar os três break points que enfrentou e segurar o seu serviço. À semelhança do segundo parcial, os dois jogadores seguraram mais uma vez todos os jogos de serviço e o set foi novamente decidido no tiebreak. Desta feita, foi o britânico quem cometeu uma dupla falta e ofereceu o primeiro mini-break ao adversário, permitindo que o sérvio se lançasse para a vitória por 7-3.
Os dois jogadores voltaram a jogo depois de Murray ter recebido assistência ao seu pé, visivelmente ferido. Se nos dois primeiros parciais os finalistas não cederam qualquer jogo de serviço, Djokovic conseguiu chegar a uma vantagem de 0-40 no serviço do britânico e, à terceira oportunidade, alcançou mesmo o primeiro break do encontro (após trinta e um jogos sem qualquer quebra consumada), segurando depois o seu jogo de serviço sem dificuldades para vencer o terceiro set, numa altura em que se aproximava dos cinquenta erros não forçados cometidos.
No quarto set, Murray dispôs novamente de um ponto de break mas não conseguiu convertê-lo, sendo imediatamente quebrado pelo sérvio, que usufruiu de toda a sua experiência em finais major para não mais perder o ascendente de um encontro que contava cada vez mais com erros não forçados do jogador britânico, quebrado pela segunda vez a 1-3, com uma nova dupla falta num momento importantíssimo. Numa final bastante diferente da de 2012 (em que Djokovic e Nadal disputaram um dos melhores jogos de sempre), o quarto parcial acabou por ser o mais rápido e desequilibrado dos quatro que foram discutidos e permitiu ao sérvio ceder erguer os braços após o último ponto, consumando a vitória por 6-7(2) 7-6(3) 6-3 6-2.

Derrotado pela terceira vez na final do Australian Open (perdeu o jogo decisivo de 2010 para Federer e o de 2011 para Djokovic), Murray mostrou-se muito agradecido a todos os que tornaram possível o dia de hoje: “Gostaria de dar os parabéns ao Novak [Djokovic], o record dele aqui é impressionante e merece ser campeão. Quero também agradecer a todos os espectadores que criam uma atmosfera excelente para se jogar ténis e que são muito justos e também ao director do torneio, Craig Tiley, que consegue organizar um excelente evento.”

Novak Djokovic, por sua vez, estava visivelmente satisfeito e emocionado com a nova conquista: “Primeiro tenho de dar os parabéns ao Andy [Murray], e obrigado pelas palavras simpáticas. Ele teve azar esta noite. É um sentimento incrível erguer estre troféu novamente, é o meu torneio do Grand Slam preferido e adoro este court.”

A partir do dia 1 de fevereiro, Novak Djokovic participará na primeira eliminatória do Grupo Mundial da Taça Davis, onde a Sérvia enfrentará a Bélgica, comandada por David Goffin, em Charleroi. Já o Reino Unido, de Andy Murray, ficou isento de disputar a primeira ronda da Zona Euro/África do Grupo I e apenas entra em acção em abril, contra a Rússia.

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Gaspar Ribeiro Lança

[email protected] | Dar palavras a um encontro de dois, três, quatro ou cinco sets, com ou sem tiebreak. Dar palavras a recordes, a histórias. Dar ténis a todos aqueles que o queiram. Mais, sempre mais. Foi com o objectivo de fazer chegar este capítulo do desporto a mais adeptos que fundei o Ténis Portugal em 2010. Cinco anos depois, fui convidado a ser co-responsável pela redação dos conteúdos do website, newsletter e redes sociais do Millennium Estoril Open.